2 February 2016

Primeira sessão do debate temático sobre a 2ª Circular

Melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança à Segunda Circular
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A Federação Portuguesa do Táxi participou na primeira sessão do Debate Temático sobre o projeto da Câmara para a Segunda Circular, promovida pela Assembleia Municipal de Lisboa promoveu no dia 1 de fevereiro, no Hotel Roma, iniciativa que contou com a colaboração de especialistas em mobilidade, ambiente e aviação. O município explicou a intervenção, que visa "melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança à via", e ouviu as entidades convidadas.
Os representantes do Automóvel Club de Portugal e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária falaram sobre o impacto na segurança rodoviária, e a Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas e a Quercus abordaram o impacto ambiental e paisagístico do projeto.
A Infraestruturas de Portugal, a Carris (Transportes de Lisboa), e as associações representativas dos táxis referiram o impacto no trânsito e nos transportes públicos.
Os efeitos na segurança da navegação aérea foram sublinhados pela ANA - Aeroportos de Portugal e pela NAV -- Navegação Aérea de Portugal.
O debate será recolhido num relatório da Assembleia Municipal, sob responsabilidade da presidente Helena Roseta, e dará origem a uma deliberação com recomendações daquele órgão à Câmara Municipal, a ser tomada numa sessão da Assembleia a convocar ainda em fevereiro.
Reproduzimos na íntegra a intervenção da FPT, que foi representada por António Marques. Rodolfo Melo e Eduardo Cacais também representaram a FPT e, no período de intervenção do público, Eduardo Cacais realçou a importância de alguns aspetos da comunicação da FPT.

AVALIAÇÃO DA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NA 2ª CIRCULAR

Excelentíssima Senhora Presidente da Assembleia Municipal,
Exmos. Senhores deputados Municipais,
Distintos Convidados e participantes,
Minhas Senhoras e Meus senhores,

A Federação Portuguesa do Táxi agradece o convite da Exma. Senhora Presidente e tem o maior gosto em estar presente neste debate temático sobre a 2ª Circular, por vós promovido.
Possivelmente, seria mais frutuosa a colaboração da FPT se tivéssemos sido auscultados numa fase mais embrionária.
Acumulamos o saber de milhares de profissionais singulares e coletivos, pelo que poderíamos ter contribuído ativamente para enriquecer este projeto.
Após análise dos vários documentos que estão publicados sobre o tema em debate, a Federação Portuguesa do Táxi considera que a concretização deste projeto entronca em duas vertentes: benefícios e constrangimentos.

Sãos Benefícios:

1 – A intervenção prevista é essencialmente uma obra de beneficiação rodoviária e que consiste na reposição de todo o pavimento com uma solução que aumenta muito a aderência dos veículos e reduz muito o ruído substituição de todo o sistema de iluminação que irá melhorar os atuais níveis de iluminância substituição de todo o sistema de drenagem com substituição dos órgãos de drenagem e melhoria da drenagem transversal, eliminando a possibilidade de ocorrência de fenómenos de aquaplaning.
Substituição de todo o sistema de sinalização em particular as marcas rodoviárias horizontais o que irá melhorar a fluidez e a segurança da circulação.

2 – A solução proposta mantém as 3 vias por sentido em cada faixa e uma 4ª via nas zonas de entrecruzamento e nas faixas de aceleração e abrandamento. Nessa medida a proposta mantém a atual capacidade da 2ª circular.

3 - A solução proposta procura eliminar alguns dos entrecruzamentos mais perigosos designadamente na zona compreendida entre o nó com o eixo N/S e o nó de Calvanas. Nessa medida a solução proposta procura eliminar situações que originam atualmente atrasos na circulação.

4 – A introdução do limite de velocidade para 60Km/h tem como objetivo aumentar a segurança sem por em causa a fluidez, uma vez que o débito máximo de uma estrada se atinge entre os 50Km/h e os 60Km/h. A uniformização da velocidade evita as acelerações e travagens bruscas diminuindo a ocorrência de filas de espera.

Relativamente aos Constrangimentos:

5 - A introdução do limite de velocidade de 80km/h para 60Km/h pode ser considerada um constrangimento sobretudo nas horas de menor tráfego. No entanto tendo em conta a necessidade de evitar a circulação a velocidade excessiva sobretudo durante o período noturno (muitas vezes acima dos 120 Km/h) que põe em causa a segurança dos automobilistas esta medida torna-se necessária. O seu controle é realizado através de radares que serão assinalados e alertados os automobilistas para a circulação em excesso de velocidade.

6 – As obras irão decorrer num período de 11 meses. Os trabalhos só ocorrem entre a 24h e as 5h com constrangimentos à circulação entre as 23h30 e as 5h30. Todo o sistema está previsto para que a circulação nesse período ocorra com total segurança.

Em Conclusão:

1 – A Federação Portuguesa do Táxi considera que de um modo geral a intervenção proposta pela Câmara para a 2ª circular é positiva, uma vez que irá melhorar muito as condições de circulação devido às beneficiações no pavimento, na iluminação e na drenagem.
Trata-se de uma intervenção que era urgente e apenas peca por ser tardia.

2 – Apesar de estar previsto que as obras apenas decorram durante o período noturno, a Federação alerta para a necessidade de tudo se fazer para evitar que as obras possam condicionar a circulação durante o período diurno. Torna-se ainda muito importante que sejam asseguradas as condições de segurança, designadamente ao nível da sinalização durante os períodos em que o número de vias de circulação fica condicionado.

3 - A 2ª circular é hoje a estrada com mais tráfego em Lisboa e tem grande importância para a mobilidade e para a circulação na cidade. Reconhecendo que nas condições atuais será difícil reservar uma das vias para a circulação de transportes públicos, solicita a Federação Portuguesa do Táxi que possa ser encarada pela Câmara Municipal de Lisboa essa possibilidade no futuro em benefício de uma mobilidade mais sustentável na cidade.

4 – Em relação ao limite de velocidade para os 60km/h a Federação reconhece que esse limite irá contribuir para a redução da sinistralidade mas deverá ser aplicado como uma medida que contribua efetivamente para o aumento da segurança rodoviária e não como mais uma forma de facilitar a “caça à multa”. Para finalizar, e percebendo que haverá intervenções mais ligeiras que poderão ser feitas com o recurso à sinalização, consideramos ser fundamental a alteração dos acessos, nomeadamente do nó da Buraca, para libertar o trânsito da segunda circular.

Muito obrigado pela vossa atenção.

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